Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

 

“No dia em que acreditar que há um Deus tenho de lhe pedir contas da minha alma trocada e duvido que ele saiba responder-me.”

 

Rosa Lobato de Faria in A Alma Trocada



publicado por Dreamfinder às 22:38
Segunda-feira, 23 de Maio de 2011

 

“Finalmente o prazer. Farrapos de fantasias eróticas de toda uma vida, numa espiral onde rodopiavam emoções, sensações, esquecimento próprio, loucura, aceitação do animal em mim, do grito, da fome, da liberdade de ser e saber que se é. Apesar. Mau grado. Não obstante. Que se lixe.”

 

Rosa Lobato de Faria in A Alma Trocada



publicado por Dreamfinder às 16:07
Domingo, 22 de Maio de 2011

Para esta semana deixo uma sugestão em português:

 

A Alma Trocada

Rosa Lobato de Faria

(Asa)

 

 

 

Gosto bastante de Rosa Lobato de Faria e, uma vez mais, a autora não me desiludiu. Um tema controverso. Quando me emprestaram o livro apaixonei-me de imediato pelo título. E esse mesmo título fez-me imaginar belas histórias, de frustração e revolta, de amor e traição, de conquistas e perdas. 

Mas jamais imaginei que este romance abordaria a questão da homossexualidade. Devo admitir que não me é uma questão particularmente querida. Provavelmente nem teria começado a ler o livro se me tivesse apercebido da temática. Mas, no final, ainda bem que li.

A escrita de Rosa Lobato de Faria é sempre maravilhosa e faz qualquer assunto parecer insignificante, comparado com a forma que lhe dá. E talvez por isso eu tenha gostado tanto.

Fala-nos das dificuldades de um adolescente que se descobre homossexual numa família rígida e severa. Dos seus conflitos internos, das suas dúvidas e da sua condenada solidão. E esta foi a parte que mais me cativou. Esta vivência angustiada de quem não pode escolher o caminho mais fácil. 

Teófilo é esse adolescente, que está prestes a casar-se com uma mulher, ainda que viva um intenso romance com um homem, Hugo. Uma vez cancelado este noivado, vamos assistir ao intensificar da relação gay, com paixão e entrega, mas também traição e promiscuidade. Teófilo sente deste sempre que a sua alma não lhe pertence. Não se sente ele. Não encaixa nos desígnios da sociedade. A sua alma foi, algures, trocada.

Houve uma parte do livro que me pareceu bastante escusada. Na verdade estava a gostar cada vez mais, até que surge um estranho episódio de atropelamento do protagonista e posterior rapto de uma criança amiga, que não só não se enquadra com a necessitada naturalidade na história, como vem cortar a mesma. De resto, gostei muito.

Como em todos os seus livros, a história é desenrolada com humor perspizaz e doce ironia. Adorei.

 

“Fecho-me no quarto, os automóveis miniatura nas prateleiras, o poster do Ayrton Sena, dos U2, os vídeos da vida animal, o computador avariado, o roupão da adolescência pendurado atrás da porta, curto nas mangas, o ursinho da infância escondido por cima do monopólio. O meu quarto de rapaz, o meu quarto de não saber quem era, o meu quarto cheio de dúvidas, de perguntas sem resposta, de solidão.”



publicado por Dreamfinder às 15:26
Sexta-feira, 18 de Março de 2011

 

“És tu que não percebes nada de amor. Tens um casamento estável, tranquilo, uns filhos óptimos, para ti o amor é um dado adquirido. Mas de um modo geral há um que ama e outro que se deixa amar.”

 

Rosa Lobato de Faria in As Esquinas do Tempo



publicado por Dreamfinder às 14:34
Domingo, 05 de Dezembro de 2010

Mais um domingo, mais uma sugestão:

 

Os Três Casamentos de Camilla S.

Rosa Lobato de Faria

(Asa)

 

 

Este livro de Rosa Lobato de Faria é uma história alucinante sobre a vida de Camilla S., uma autobiografia que a própria decide escrever aos 90 anos. Nesta idade, Camilla S. revê-se ao longo da sua vida e analisa a existência enquanto mulher. Mulher que amou. E se casou 3 vezes. Por obrigação, desejo ou amizade. Tendo a história do nosso país como contexto, ela descreve-nos as suas vivências e paixões. E vemos a jovem Camilla, ainda cheia de sonhos e de esperanças em relação ao amor, casar-se com um homem bastante mais velho, apenas por uma questão social. E sofrer por esse casamento sem amor, mas ao mesmo tempo, aprender e crescer com a vida.

Depois casa-se com um homem e aprende o amor na cama, o puro desejo. E, por fim, o amor da terceira idade, sereno e tranquilo, banhado pela doce amizade e cumplicidade. E sempre transversal aos 3 casamentos, o seu mais verdadeiro e inconcretizável amor.

Uma história maravilhosa, contada sempre com poesia na voz.



publicado por Dreamfinder às 22:20
Segunda-feira, 08 de Novembro de 2010

 

“Foi mais uma tarde de loucura e de sonho e, fosse qual fosse a faixa do tempo em que se encontrassem, sentiram-se, como todos os amantes, fora de qualquer espaço e de qualquer tempo. Fizeram um amor sagrado, um amor profano, um amor devoto, um amor transgressor, um amor nómada, um amor sedentário, um amor viajante por ares e mares e terras e rios e desertos e florestas, um amor de bichos, um amor de deuses.”

 

Rosa Lobato de Faria in As Esquinas do Tempo



publicado por Dreamfinder às 21:54
Segunda-feira, 30 de Agosto de 2010

 

“A verdade é que já te amava loucamente, é esse o termo. E desculpa a piroseira, mas quando se ama muito é assim. Ficamos ridículos e possidónios e dizemos só lugares-comuns e parvoíces, porque não há palavras para exprimir esta coisa que nos invade e nos oprime e nos sufoca e para a qual ainda não se inventou outra palavra que não seja amor.”

 

Rosa Lobato de Faria in As Esquinas do Tempo



publicado por Dreamfinder às 21:36
Domingo, 11 de Julho de 2010

Esta semana deixo uma sugestão de uma autora que recentemente nos deixou:

 

As Esquinas do Tempo

Rosa Lobato de Faria

Porto Editora

 

 

A autora traz-nos uma história sobre Margarida. Várias ou sempre a mesma, mas em épocas diferentes, quando essas linhas do tempo se cruzam em determinadas esquinas. Mergulhamos assim numa história alucinante que quebra todas as regras e convenções e que flui pela simples linha da imaginação.

Margarida é uma mulher determinada, professora de Matemática, que está a viver uma paixão intensa com Miguel. Após uma palestra em Vila Real, Margarida fica hospedada na velha Casa da Azenha. Ao adormecer, começa com umas sensações estranhas. E há aquele quadro na parede, que a intimida, que parece chamar por ela, e que lhe é tão familiar. Que lhe recorda Miguel.

O que Margarida não percebe é porque é que no dia seguinte já nada está igual. Tudo tem cem anos a menos do que ela. O quarto, as vestes, os hábitos. A família. E conhece o homem do quadro, Miguel.

É neste tempo, um século antes do seu, que Margarida vai compreender o significado do amor e a dureza daqueles dias.

Um livro que harmoniza poesia, romance e erotismo. Criatividade e inteligência. Com uma mística muito especial. Prende-nos a um livro, diferentes tempos.

Lê-se num ápice e no final resta a saudade. Poderia ter mais umas quantas páginas de viagens e experiências no tempo que nós nos perderíamos com todo gosto nesses recantos cronológicos. Magnífica obra!

  

“Outras interrogações a assolavam como, por exemplo, se as pessoas que consideramos geniais não serão apenas viajantes de tempos mais avançados que sabem aquilo que ainda não sabemos.”



publicado por Dreamfinder às 12:29
“Um leitor é sempre um estudante do mundo.” Deborah Smith
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